Nove dias sem postar, passou tão rápido que mal percebi que foram tantos dias, dias de silêncio. Porque há dias de falar, e há dias de calar... Eu por natureza sou de falar, mas em determinadas situações, a vida me cala, uma espécie de freio. Muitos recadinhos carinhosos, muitos emails delicados, cheios de amizade e preocupação, já outros nem tanto... mas cada um costuma falar e deixar escapar pela boca, daquilo que está cheio o coração. E isso vale prá vocês, isso vale prá mim, e por isso de tempos em tempos me reavalio, me reciclo, me renovo, porque jardim abandonado cria erva-daninha, e aqui só há espaço para flores. Estive em silêncio, poderia até ter sido um silêncio mais profundo, mas sempre sou traída pelo ímpeto da minha impulsividade. Estive cansada, tirei o feriado e emendei essa semana prá realmente descansar e aproveitar minha casa, meus pequenos, minha família, meu trabalho que amo, minhas coisas que gosto. Cuidei de tudo, cuidei de todos, cuidei de mim. Vim melhor, vim maior, mais forte e disposta. E prá quem se preocupou, estou muito bem, estamos todos muito bem, estou feliz. E agradeço de coração e com todo meu carinho a preocupação, foi reconfortante perceber os amigos que tenho.

É da minha personalidade; quando me machuco, quando me sinto angustiada ou ansiosa, me calo, me fecho. Muita gente me perguntou o que aconteceu; e como tenho esse espaço aberto, com tantos acessos e seguidores, pessoas sempre tão queridas que me acompanham, resolvi falar um pouquinho, até porque não falar, dá espaço à especulações, conjecturas e inverdades. E disso estou também farta.
Aconteceu que eu cansei. Cansei fisicamente, da correria, de tentar dar conta da tudo, de dormir pouco, de estar sem diarista, do trânsito. Cansei mentalmente, de preocupações com algumas decisões a tomar, de dúvidas e questionamentos, das incertezas que todos temos. Cansei emocionalmente, de ser sempre fortaleza, da obrigatoriedade de estar sempre bem e firme, de estar sempre em pé, de não ter o direito às vezes de falhar, cansei de dar a outra face; cobranças internas, que inconscientemente, não só eu, mas muitos de nós, nos impomos.

Cansei das regras, de ser politicamente correta, de estar sempre sorridente, sempre otimista, sempre compreensiva, sempre disponível e presente prá tudo e todos. Cansei... de ter ficado ansiosa com tudo isso, instável emocionalmente e ter visto o meu leite secar, quando eu tinha tanto. Ter que além de adaptar a Mariana à mamadeira (e prá ela nem aí... foi uma festa, é a mais feliz com a amiga mamadeira), ainda ter uma despesa extra com leite, quando poderia ser desnecessário.
Cansei da amargura, da maledicência, da inveja, da falta de respeito, da bipolaridade da vida virtual. Como não sou de reclamar, não gosto de mimimi, não gosto de autopiedade, nem faço autopropaganda, porque minha imagem não está à venda por preço nenhum, esperei passar tudo isso de angustiante que eu vinha sentindo, estava sufocada e acumulando toneladas de lixo emocional.

Então diante de tudo, parei... me calei, me dei o direito... chorei, chorei, chorei e chorei... que é o único jeito que eu sei reagir e desabafar, e na verdade é o único método eficiente prá mim. Quase ninguém sabe, quase ninguém viu, mas me fez um bem danado, recomendo. Não tenho nem nunca tive depressão, nenhum transtorno de humor, nem mesmo TPM, tenho mesmo é um gênio do cão, e peço à Deus todas as noites que abrande alguns sentimentos, peço prá que meus filhos não tenham herdado essa parte do meu temperamento, e prá que ninguém me irrite o suficiente a ponto de eu ter que externar essa face, da qual não me orgulho nem um pouco.

Sendo assim me cuidei, dormi e comi muito bem, deixei de arrumar a cama e a casa alguns dias, fiquei boa parte dos dias de pijama, cara lavada e unhas sem pintar, porque a vaidade apesar de boa, muitas vezes também aprisiona... Passei bons momentos em família, ganhei tudo na mão, fiz coisas que gosto muito... brinquei com meus filhos, fiz comidinhas boas, curti minha família, li, ouvi muita música, fiquei nos meus blogs de imagem, pesquisei artesanato, rascunhei novos projetos, tirei fotos sem compromisso; fotos de coisas, de pessoas, de pessoinhas. Arrumei meus ateliers, namorei minhas coisas, meus paninhos, meus botões, meus papéis, minhas tintas. Vi fotos antigas, revivi boas lembranças. Ganhei um presente maravilhoso da minha empresa, que em breve venho mostrar, que veio como uma resposta ao que realmente vale à pena, e fazer o que se ama é uma delas. Chorei, transbordei e estou leve, é assim que costumo cuidar de mim, me permitindo. Não me impondo regras ou viver a vida como se estivesse seguindo uma cartilha, e talvez eu estivesse perdendo justamente essa essência de liberdade, tão vital prá mim. Muitas regras, muitos prazos, muita perfeição e eficiência em tudo.

Eu estava me sentindo aprisionada em muitas coisas e de certa forma em pessoas e situações, voltei Fênix, voltei LIVRE! E muito mais feliz e tranquila, podem ter certeza, com o coração em paz. Voltei porque gosto daqui, porque ainda tenho amigos que valem à pena, porque preciso escrever prá viver, porque preciso criar e dividir prá ser feliz. Porque ainda tenho muito a ensinar, e mais ainda a aprender!
E só posso como sempre... agradecer! Muito obrigada pelo carinho, pela preocupação, pela amizade, pelos presentinhos virtuais, pelos emails trocados, pelos que continuaram vindo aqui, mesmo com a casa vazia. Muito obrigada mesmo!
Mas... o tempo de calar já passou, voltamos à nossa programação normal, meu tempo de falar pelos cotovelos está de volta. Então vocês já sabem...
Mileiam, miamem, miaguentem... miabraçem bem forte... kkkkkkkkkkkk....
Beijos e boa semana ♥