Mais uma tela pronta, eu que nunca pensei que pintaria telas, achei que não tinha herdado esse dom da minha mãe e protelei até há pouquíssimo tempo. Uma coisa é você fazer uma pintura country ou decorativa à partir de um risco pronto, outra coisa é você criar, colocar seus sentimentos na tela. Prá mim, é a melhor terapia que pode existir, melhor que Prozac, melhor que qualquer analista... esse é o meu remédio, que cura minha ansiedade, minhas tristezas e angústias. É também onde materializo sentimentos, em cada pincelada deposito o que eu estou sentindo. Comecei essa tela há muito tempo, prá quem quiser saber o início de tudo, dá uma olhadinha aqui. Uma tela que comecei com o propósito de disfarçar um vitral no meu quarto que eu detestava, e agora vim prá uma casa onde ela não tem mais essa serventia, talvez porque a finalidade dessa tela tenha sido sempre outra... O término dessa tela veio num momento muito providencial, semanas antes da minha mudança, quando eu estava me preparando prá partir e construir um novo lar, um novo ninho. Construir casa é fácil, difícil é criar dentro dessa casa, um lar... mas com paciência e amor, certamente conseguimos.
Como sempre, o processo criativo e o desenrolar das aulas, da história...
Num primeiro momento eu quis um fundo neutro, suave, e essas cores foram sugestão do Cláudio, meu professor, inspirador, em quem me espelho prá melhorar sempre, e o dia que eu pintar 10% do que ele pinta, me dou por satisfeita. Amém!
Essa tela foi muito estudada, estudamos as cores, que de magenta foi pro turquesa, o Cláudio me deixou encarregada de estudar a disposição que eu queria e o movimento do voo das borboletas, e aqui, começamos... fundo preenchido com pinceladas largas e soltas, esboço das borboletas, sombra como base.
À partir do escuro, fui trabalhando os tons de azul, dando forma às asas e moldando as borboletas.
Eu estava feliz com a escolha das cores, essa paleta de azuis que adoro! Estava muito contente com minhas borboletas, com a profundidade e movimento do voo, mas quando cheguei na aula, comentei com o Cláudio que estava faltando algo, que eu não estava totalmente satisfeita, e achava que eram as cores, muito monótonas. O bacana disso tudo é o entrosamento, o Cláudio me conhece muito bem, e logo disse que ia conversar comigo porque também achava que algo não estava fechando, faltava algum detalhe, mudar algo... e lá fomos nós...
Lá vem o Cláudio com uma pilha de bisnagas de tinta em tons de verde, e eu logo torci o nariz... em vão, porque sabia que se ele tinha sugerido, sem chance de erro, o homi é fera, e lendo isso, vai ficar se achando mais ainda a última bolacha do pacote... Ele me sugeriu que as borboletas estivessem sobre um vale, voando alto, que isso daria profundidade e representaria o voo com mais realidade, já que no outro fundo, elas estavam perdidas no cenário, sem referências. Nesta imagem ele estava me dando algumas orientações de retoques, para corrigir invasões de fundo e etc...
Poderíamos dizer que estava terminada, mas eu olhava prá ela, chamava o Cláudio e tínhamos a mesma opinião, ainda está faltando alguma coisa... algo que traga alegria prá esse cenário... e não foi difícil concluir que estavam faltando detalhes e... cores! Colocamos pequenas manchas amarelas nas asas e com isso conseguimos destacar e reavivar o azul, e dar um detalhe lindo.
Destaquei as sombras que fazem os rajados das asas; nas extremidades, azul mais claro para destacar a luz, manchinhas amarelas para contrastar.
Nessa segunda etapa minha paleta ficou assim: sombras, violeta, verdes e amarelos, azuis para correções e luz. Usei Pincéis Condor, principalmente a linha 484 e 421, que adoro para o tipo de pincelada que eu trabalho.
Depois de concluirmos que foram os detalhes que deram mais vida à tela, resolvemos brincar com outras cores, fazendo mais manchinhas e detalhes delicados, como anteninhas muito sutis e o brilho da luz nas extremidades das asas.
No final de tudo, o que mais gosto, cores, muitas cores! Vibrantes, claras, ALEGRES!!! Amo porque é disso que sou feita, pequenos detalhes, muito colorido e amor pelo que eu faço.
E finalmente, pronta! Um resultado muito melhor que eu esperava, mais uma superação prá mim. Nada mais justo que dividir a foto com o Cláudio, tão criador dessa obra quanto eu. Alguém que desde os primeiros contatos acreditou no meu dom, no meu talento, no meu trabalho; sempre me incentivou, me colocou prá cima e de uma forma muito generosa me ensinou tantas coisas, tantos conhecimentos divididos, compartilhados. Só posso mesmo agradecer ao Cláudio, à Cinira que é proprietária da Artemelo onde eu dava aulas até antes da Mariana nascer, pelo apoio constante.
Nunca disse nada disso aqui, mas sinto que preciso dizer, o quanto essas duas pessoas foram e são importantes na minha vida, pelas oportunidades que me deram, pelo tanto que eu pude aprender em todos os sentidos. E uma relação que inicialmente era prá ser só de trabalho, hoje, depois de quase 5 anos, eu sei que posso chamar de amizade.
Cláudio e Cinira, muito obrigada por tudo que vocês representaram prá mim, prá minha família nesse período, pela compreensão que sempre tiveram, por me dar uma oportunidade de trabalho quando eu cheguei em Curitiba, meio perdida, sem rumo, com receio do futuro, assim como eu chego agora, aqui em Cambé. Obrigada pela oportunidade que tive de ter alunos que se tornaram amigos de verdade, pelo ambiente sempre bom de trabalho que tivemos, de respeito, de paz e de amizade.
Eu tenho a Artemelo comigo como sendo minha segunda casa, muita saudade dos nossos cafés, dos aniversários comemorados, das guloseimas: palitos e pão de queijo, pastel de palmito, torta alemã, cappuccino, pão português, bolos de caixinha do Cláudio com receita secreta... cof, cof, cof... O Leo tem saudades até hoje das balinhas de fim de tarde, e a Mariana que amou bagunçar as tintas e mexericar em tudo. Quantos sorrisos, quantas lágrimas... eu jamais vou esquecer. Isso era tudo que eu gostaria de ter dito à vocês quando fui me despedir, mas que não consegui, que sem falar nada já foi difícil, imagina se tivesse falado... que fique aqui registrado o quanto eu sou grata e o quanto eu tenho vocês no meu coração e assim sempre será...
Agora que já morri de chorar, já posso fazer compressa com camomila? Sou uma molenga, um caso perdido... #sofro. Só prá constar, vocês me devem uma aplicação de Butox! kkkkkkkkkkkkk
| via Tumblr |
E prá terminar... no dia que finalizei minha tela, como de costume, precisava dar nome à cria, instantaneamente esse título me surgiu: Revoada de Paz. Revoada porque estava de mudança, porque gosto da sensação de liberdade que o voo pode proporcionar, pelo próprio espetáculo. Paz, da paz que eu precisava muito naquele momento, em que eu estava triste, ansiosa, cheia de dúvidas, tensa com tudo. Paz, da paz que eu ainda busco e preciso, prá cuidar de mim, da minha família, da minha casa, prá ser feliz! E essas borboletas representaram prá mim a leveza que eu quero, a metamorfose, a transformação... todos temos fases de ser lagartas, e tudo passa... eu só quero agora ser borboleta e voar em paz...
Beijos e um maravilhoso final de semana prá todos nós ♥































