
Esses dias entrei no
Twitter, desanimada da vida, cansada, ando me sentindo assim, muito diferente do que realmente sou ou pelo menos vinha sendo... desmotivada "de" e "com" muitas coisas. Uma das coisas que mais me cansa fisica e emocionalmente é a rotina, aquilo de todos os dias fazer as mesmas coisas, nos mesmos horários, de nunca conseguir dar conta efetivamente de tudo, da casa, das crianças, do meu trabalho, dos cuidados com meu marido, minha família, amigos e principalmente de me cuidar. Eu, além disso já tenho comigo algo que não me ajuda em nada: sou extremamente perfeccionista e metódica, já fui muito organizada, hoje minha rotina já não me permite ser tanto. Às vezes me pego comparando minha casa com a casa onde morava no interior, que era impecável, limpeza e organização total, nenhuma moedinha fora do lugar, então preciso dizer prá mim mesma, que a situação era outra, que eu tinha uma rotina leve, eu tinha quem me auxiliasse com o serviço doméstico em tempo integral, eu não tinha filhos....

Ah! Os filhos... minha maior alegria, minha maior riqueza, mas talvez aquilo que me faça sentir muito culpada em boa parte do tempo seja justamente o fato de ser mãe, de querer ser uma boa mãe e às vezes de querer ser a melhor mãe. E quando alguma coisa acontece fora do previsto, a gente se enche de culpa. Nos culpamos por coisas que não dependem de nós, nos culpamos muitas vezes porque queremos ser e fazer coisas que as pessoas esperam de nós, nós nos sentimos na obrigação de não decepcionar, de não falhar. Prá quem não conhece minha trajetória de mãe, minha vida não foram só flores, logo que casei, engravidei, em seguida perdi o bebê com 11 semanas de gestação, junto com a dor, com a decepção e a frustração, veio a culpa, me perguntava se eu tinha feito algo de errado, se não tinha me cuidado como deveria, eu me culpava por não ter conseguido. Decidi que minha vida não seria conduzida por isso, que eu poderia ser muitas coisas e não apenas ser mãe, fazer disso meu único e principal objetivo, esperei três anos, demorei mais de um ano tentando e vivendo em torno disso, como se a vida fosse apenas isso, e engravidei novamente, e com 12 semanas... perdi novamente. Nem preciso dizer né? Segunda perda, culpa dobrada, aí perdi meu chão... como assim, eu saudável, sem doença nenhuma, nem resfriado eu pego (e isso até hoje) e não conseguia levar adiante uma gravidez que começava saudável e bem? Eu me culpava por não conseguir realizar o sonho do meu marido, o meu maior sonho, me culpava porque via ao meu redor uma família que proliferava feito coelho e só eu não conseguia, a maioria das minhas amigas já com bebês... e foi muito difícil prá mim, digerir tudo isso, parar de achar que estava grávida todo mês, parar de chorar noites e noites e noites a fio, querendo que as coisas acontecessem à força. Desisti, parei tudo e segui minha vida, quando desisti... veio... e veio prá ficar, meu Leo!
E a culpa? Lá, firme e forte, porque mãe que é mãe tem culpa prá dar e vender, muda a situação e a gente começa a se cobrar de outras formas, de outras maneiras, por outros motivos. Me vi num impasse entre a minha tão sonhada maternidade e a minha vida profissional, tinha recém fechado minha farmácia, situação financeira crítica, meu marido em dois empregos, saía de casa 6:00h e chegava 23:00h, e mesmo assim não estava sendo fácil, foi então que tomei a decisão mais difícil da minha vida, peguei meu diplominha de farmacêutica pela UFPR e guardei na gaveta, trancado à sete chaves e virei o que hoje eu sou: artesã, mãe, esposa e dona de casa. E eu me culpava... vou decepcionar meu pai, estudei 5 anos prá que? E essa fortuna que tenho em livros? E se não der certo? Aos poucos eu percebi que se eu não mudasse meu padrão de pensamento e comportamento, eu estaria fadada à infelicidade. Foi difícil mas eu mudei, e cada vez que me pego assim, me culpando de algo, trato logo de reavaliar as coisas e mudar a ótica, eu vejo as coisas por outro ângulo, porque nada tem somente o lado ruim, de tudo, podemos tirar algo positivo.

Hoje, com a Mariana em relação ao Leo, sou uma mãe muito mais tranquila, mais segura, mais leve. Faço as coisas no meu ritmo, do jeito que posso e não me cobro, meu leite diminuiu muito essa semana, de uns 5 dias prá cá tem descido muito pouco, estou conseguindo levar, mas a lata de Nan1 está no armário e a hora que eu perceber que realmente não está mais dando, não vou me culpar, porque a minha parte sei que já fiz e que fiz da melhor maneira possível. Sei que isso aconteceu porque não estou numa das minhas melhores fases emocionais, mas não posso me culpar por não estar bem, em outros tempos me culparia, me cobraria, hoje, não mais...

A vida é única e eu creio que tenha que ser leve, antes eu me cobrava por tudo, desde de não ter tempo prá alguma coisa, até por coisas que eu sentia e ainda sinto, sentimentos que não consigo explicar, coisas que vem de dentro prá fora, já não me questiono mais, nem me imponho cobranças. Faço agora as coisas da forma que é possível prá mim, de preferência confortável. Tenho a sorte de contar com um marido compreensivo, que quando pode, me ajuda; quando não me ajuda, também não me cobra, não me aborrece, nem me atrapalha. Às vezes ele chega e a louça do almoço está na pia, ou não consegui colocar o lanche na mesa, gostaria que fosse diferente, mas se não é, vamos nos adaptar ao que temos, porque eu acredito que a gente tem que ser feliz com o que tem, com o que é e com o que pode ser e fazer, se não dá... não dá...
E sobretudo, eu aprendi que na maioria das vezes não são as pessoas que nos cobram, somos nós mesmos que nos cobramos, eu sei que eu exijo demais de mim e muitas vezes dos outros, quando eu não consigo corresponder, me cobro, quando os outros não correspondem, me frustro... e isso tem sido constante. Essa tem sido a minha mais árdua luta interna, menos cobranças, menos expectativas, e a cada dia eu tenho conseguido ser uma pessoa um pouco mais leve, mas o policiamento é eterno. Apesar da tag ter sido #culpazero eu não acredito que isso seja possível, porque faz parte da natureza humana o questionamento, a busca de respostas e invariavelmente quando as coisas não dão certo, que se achem os culpados. O que eu tenho tentado é me impor mais perante algumas situações, tenho dito muito mais NÃO, embora ainda seja pouco, porque preciso dizer mais vezes, já é um grande começo e procuro fazer as coisas de uma forma que não se tornem tão pesadas prá mim, procurando amenizar a parte negativa.
Essa blogagem teve origem numa conversa no Twitter, que se iniciou quando a Luci contou que estava com faxineira em casa e eu reclamei que não consigo achar uma, e que quando acho não fazem nada direito e cobram caro, muitas outras meninas entraram na conversa e o assunto se expandiu, então decidimos fazer essa blogagem coletiva! Venha e participe conosco também!!! Vamos trocar experiências e interagir um pouco mais. A
Elaine está organizando os links e a blogagem; até o momento, estão participando também:
- Minha mãe sabia
- Sementes diárias
- Dedo de moça
- De amor e de…
- Sobre viver em Sinop
- Iara poesias
- Coisas de Carine
- Doce insensatez
- Agenda de casa
- Adriana Balreira
- Dom Caixote
- Cantinho da Piu
- e outras coisitas mais...
- Asas dos versos e reversos
- Cristiane Aguiar
- Lichia doce
- A moça do sonho
- Cantinho da Si- de tudo um pouco
- Trocando ideias
- Grace's cupcakes
- Cristiane Aguiar
- Mãe é tudo igual
- Meu sonho de casa
- Inventando casa
- Blogando, pensando e viajando
- Espaço da Giu
- Meu lado contido
- M@myrene
- Espiritual Poesia
- Inquietude total
- Uma mãe expatriada
- Tays Rocha
- Mulheres em conflito
- Pequenos Barulhos Internos
- Sonhos e Encantos
Quem resolver participar, avise a Elaine, se quiserem me avisem também, e eu atualizo com o link aqui!
Beijos e uma boa sexta, leve e sem culpas! ♥