terça-feira, 7 de novembro de 2017

Porque o tempo não para...



No último feriado resolvi viajar, algo que não fazíamos há muito tempo... Tirei esses dias para descansar, fui visitar a família e a minha cidade natal: Guarapuava, que fica no interior do estado. Foi uma viagem que me fez pensar bastante, mexeu bastante com meu emocional que por outros motivos já não estava muito no lugar... Só sei que voltei de lá com uma enorme necessidade de aproveitar melhor meu tempo, de não perder mais tempo com o que não me acrescenta, com coisas sem valor, com pessoas que nada significam na minha vida. Voltei com uma sensação de estar perdendo um tempo precioso que não volta mais... E foi assim...


Nasci em Guarapuava, mas sempre morei em Curitiba e por uma dessas voltas da vida, quando me casei voltei a morar lá, que era onde o meu marido trabalhava, tinha sido recém transferido. Eu era jovem, imatura, cheia de sonhos e muito diferente de quem sou hoje, e honestamente eu não sei se isso é melhor ou pior... Só sei que hoje revendo muitas fotos da época eu quase não vejo semelhanças entre esse eu antigo e esse eu de agora. É bastante estranho... Tudo mudou, a forma de pensar, as prioridades, muitos dos valores, o emocional, tudo...


Foi lá que com muito sacrifício compramos a nossa primeira casa, simples, de madeira, pintada de azul com grades brancas e com um terreno imenso e gramado, tinha uma quaresmeira enorme no quintal, uma floreira cheia de suculentas, cactos e orquideas, quatro cachorros correndo por tudo e um papagaio lindo e esperto. Lembro de termos ficado os primeiros 6 meses sem sofá, e com uma geladeira azul emprestada do meu primo por um bom tempo também. Estávamos começando a construir nossa vida, nada era fácil, mas tinha tanto amor, tantos sonhos, tanta vida sendo vivida com alegria, que hoje eu só consigo lembrar da parte boa.


O tempo passou e muita coisa aconteceu... Engravidei sem ter planejado e ficamos felizes, começamos a preparar tudo, mas depois de um tempo, perdi. Talvez tenha sido essa a primeira grande dor de perda que eu tive, até hoje quando me lembro de algumas passagens ainda dói e me emociono bastante, então evito essa parte. Abri uma farmácia, ficamos alguns anos com ela, não deu certo, fechamos... Perdi minha avó bem cedo e de uma forma estúpida e inesperada, que era minha referência de mãe, de tudo... Engravidei outra vez, perdi novamente... Foi um período muito difícil, de muitas perdas, de muitas lágrimas. Mas tínhamos um ao outro sempre e o apoio da família, ou pelo menos de uma parte dela...


Consegui me recolocar e assumi a responsabilidade de uma clinica importante na cidade, fiquei lá por anos, até vir embora, fui muito feliz nesse trabalho, lembro sempre com muito carinho. Nesse meio tempo Deus me deu de presente o nosso Leo e foi o que de melhor nos aconteceu. Essa época o artesanato já caminhava pra deixar de ser um hobby e ser uma profissão, mesmo com todo o meu medo, mesmo com toda a minha negação do fato. Eu não admitia engavetar um diploma com especializações pra trabalhar com algo tão informal. Em seguida viemos embora pra Curitiba e deixamos uma história linda pra trás, de coragem, de resiliência, de muito amor. Recomeçamos praticamente do zero.


Esse nosso tempo em Guarapuava foi de muitos significados pra mim, pude conviver com a minha avó até seus últimos dias, pude resgatar muita coisa de família com minha mãe e meus irmãos; ainda que tarde, após os 30 anos, eu pude conhecer meu pai biológico, eu tive meu filho, e de certa forma foi um reencontro que eu precisava ter comigo mesma, algumas lacunas na minha história que precisavam ser fechadas. Por isso todos os dias eu entrego a minha vida, do meu marido e dos meus filhos a Deus, na confiança de que Ele sabe o que é melhor pra nós e aceito seus desígnios de coração aberto, o que não quer dizer que não sofra, mas aceito...

Desde que eu vim embora, eu fui poucas vezes pra lá, já estávamos há 1 ano e 7 meses sem ir e resolvi visitar a cidade, ver minha família. Saí com meu marido pra darmos uma volta de carro, senti imensa saudade, foi como se um filme passasse acelerado na minha cabeça. Me vi há 16 anos atrás cheia de sonhos, começando uma vida feliz, lutando com coragem pra chegar onde eu queria. Quando passamos em frente a casa da minha avó que ainda está do mesmo jeito, as lágrimas escorriam pelo rosto sem controle, a saudade que senti foi cruel e dolorida, como nunca tinha sentido antes, talvez por nunca ter me permitido sentir dessa forma, sempre banquei a durona, mas na verdade não lido bem com nada disso. Ausências, saudades, perdas, despedidas... Não sei digerir, administrar, amenizar. Apenas não sei...


Passeamos no centro, em frente a Lagoa e eu me lembrei de várias passagens que marcaram a minha vida, de como hoje estamos tão diferentes de antes. Parei um minuto pra pensar que antes tudo parecia mais difícil e apesar disso parece que fazíamos e conquistávamos muito mais do que hoje. Me perguntei se talvez estejamos dando prioridade pras coisas erradas, se estamos nos deixando consumir pelo trabalho e pelas distrações da vida... Ou será que é porque temos as crianças e as prioridades são todas delas, o tempo é delas e os sonhos que sonhamos hoje são mais delas do que nossos... Foi um misto de sentimentos bons e outros nem tanto, mas de coisas que valeram muito a pena serem vividas, que me tornaram quem eu sou hoje.

Por um instante pensei em sonhos e assim de imediato não me ocorreu nenhum... Talvez porque acabo de me desfazer de alguns que eram mera ilusão e deixaram de ter significado real pra mim, mas por um instante eu senti um vazio enorme, me senti como se tivesse andando em círculos e vendo minha vida passar por mim, e talvez tenha sido a pior das sensações. A sensação de estar perdendo tempo, desperdiçando um tempo lindo e precioso da minha vida envolvida com coisas e pessoas que não tem nada a me acrescentar. E senti uma enorme sensação de impotência diante da vida passando acelerada, meus filhos crescendo rápido, nosso tempo caminhando na contra mão ficando cada vez mais curto.

Senti uma enorme necessidade de simplificar, de viver melhor, de ser mais honesta comigo mesma, de sonhar outros sonhos, de aproveitar mais os momentos e a vida. Nunca, em época nenhuma da minha vida eu senti uma saudade tão forte e um questionamento interno desses. Mas foi muito, muito importante pra mim, pra que eu possa me reavaliar, rever a minha vida, repensar se hoje tudo o que vivo é o que eu quero pra mim, e tentar entender de tudo isso, o que eu ainda quero pro futuro.


Creio que essa não seja uma dúvida ou uma sensação só minha, e por isso eu quis compartilhar aqui. Das certezas que ficam pra mim é que a minha família é meu bem maior, que meus filhos e meu marido são meu único e real porto seguro, e que por mais doloroso que possa parecer... Sermos honestos conosco, vivermos a verdade é o que de melhor podemos fazer por nós mesmos e por aqueles que são importantes na nossa vida. A vida não pode ser feita de ilusões, não há tempo para enganos porque o tempo é um cruel algoz.

Com tudo isso reforço meu aprendizado de que a vida é linda sim, que vale a pena ser vivida com aqueles que amamos, que devemos e precisamos nos questionar sobre nossas atitudes e escolhas, que devemos correr atrás dos nossos sonhos, que não devem ser confundidos com ilusões que roubam nosso tempo, e muitas vezes nossa alegria. Acredito de todo o meu coração que Deus sabe o que é melhor pra mim e que se hoje algo me é privado ou retirado, é porque o futuro me reserva grandes alegrias e conquistas, momentos mais felizes e verdadeiros.




Vamos viver bem e melhor a cada dia, fazendo mais daquilo que amamos, que nos alegra e realiza, dando importância às coisas certas, que é o que de melhor podemos fazer por nós, por quem amamos e por quem nos ama de fato.

Que a nossa semana seja incrível, de renovação, de paz e verdades!

Ainda essa semana tem projetos e aula nova por aqui.

Beijos com carinho e gratidão! ♥ 

6 comentários:

Dania Mara disse...

Adorei e do fundo do coração, não é só um questionamento seu... é de muita gente tbm... Sinto isso qdo volto ao ES de onde vim... volto meio destruída e ao mesmo tempo, com os olhos abertos a tudo... dói e muito... mas te digo uma coisa do alto dos meus 50 anos: as prioridades tbm não param de mudar de lugar. Não é só a vida que muda. E em meio à essa doideira que é viver, a gente com jogo de cintura encontra a prioridade do momento... E sobrevive a ela, kkkkk. Bjs e se quiser compartilhar dessa saudade imensa, sou boa nisso, kkkk!

Ana Carolina Duarte disse...

Obrigada por compartilhar um pouquinho de você conosco, mestra querida! Aqui está você me ensinando e inspirando mais uma vez,sua história me fez refletir e realmente pensar no que realmente importa. Que Deus nos dê sabedoria para alcançarmos esse entendimento sobre nós mesmos. Que cada dia seu seja mais abençoado e incrível que o anterior! Fica com Deus, sempre! ❤

Ana Carolina Duarte disse...

Obrigada por mais uma vez compartilhar um pouquinho de si conosco, mestra querida e mais uma vez, aqui está vc ensinando e inspirando... Essa é uma história de garra e me fwz refletir quanto ao que realmente quero e importa. Que Deus nos de sabedoria para alcançarmos este entendimento, que Ele te abençoe mais a cada segundo e quw vada dia seja mais incrível que o anterior! Obrigada por tudo! Fica com Deus...❤

DIY com Monalise Nogueira disse...

Que lindo desabafo, sinto tanta falta disso na blogosfera, textos que tenham um fundo emocional que mexem conosco. Amei viu...Beijos Monalise www.dividindoexperiencias.com e www.lembrancaslet.blogspot.com.br (Artesanatos)

LE ARTE disse...

Gostei demais e sempre na vida fazemos uma parada para olhar para trás e poder deixar tudo o que não foi bom, assim como olhar em frente e nos distanciar do hoje.
Por isso mesmo hoje eu quero viver um dia de cada vez, tenho meus sonhos sim, mas se se concretizarem será uma benção, caso contrário não era para ser. bjs

Alzira disse...

Obrigada por partilhar sua vida conosco! Você escreve divinamente, fiquei emocionada! E também bem pensativa, muito bom ter alguém pra nos chamar a atenção a coisas que não percebemos....Bjs! Alzira.

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